segunda-feira, 15 de junho de 2009

Perguntas como resposta aos desavisados

De que valem as palavras
se não para serem escritas?

De que vale o pensamento
se não para ser compartilhado?

Que valeriam Chico, Vinícius,
Tim e Tom se tivessem vergonha?

Que valeriam Carlos e Clarice
com seus papéis em gaveta qualquer?

De que vale a palavra pensada
e o verso vazio?

De que vale o dizer
por dizer?

De que vale um poema
se não para equilibrar-se entre o céu e a terra?

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Pra você e pra mim (ou de onde vem a ironia)

Pra você

Talvez eu seja um tolo
Um indiscreto
Um zero

Talvez eu seja um qualquer
Um transeunte
Um outro número

Talvez não te valha um olhar cruzado
Um passo a frente em me seguir

Talvez eu seja um objeto perdido no espaço

Talvez não te valha meu aperto de mão
Uma cena despretensiosa em sua presença

Talvez eu esteja com você
Um desagrado pra você
Um agrado para mim

Talvez eu esteja com uma outra qualquer
Uma que conheci há pouco
Uma que não me tem amor

Pra mim

Talvez eu seja alguém

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Incompleto

Eu ............... aqui
Você ............... lá
............... longe ...............
Será que um dia ...............?
Não ............... esperar
Esperar ............... ............... acontecer

Incompleto ............... poema
............... a vida

Nós completaremos ............... ............... ...............
Completaremos também ............... ............... ...............
E todo o resto
Dês de que ............... ............... encontre a vida

Complete-se
Complete-se com o que quiser
Porém
Enquanto incompleto ............... poema
............... estará a vida

quarta-feira, 1 de abril de 2009

O Que Eu Quero

Eu tenho vontade de te ver
E o sonho de te ter para sempre

Quero ser um homem de sorte
Apostando em você
E ser feliz por te merecer
Até o dia da minha morte

Quero ter o hábito de perder o fôlego ao te ver
Sem haver problema algum se você perceber

Queria ter o direito de te ter
E ter o prazer de ter um amor direito
Se você me der essa chance e esse direito

terça-feira, 10 de março de 2009

Nos ensaios da vida

No instante em que a viu, se apaixonou
No instante em que o viu, o ignorou

Não olhou mais para ela
Queria ensaiar mais uma vez seu olhar
E acabou por não olhá-la

Não olhou mais para ele
Não chamou sua atenção sequer no brilho dos olhos
E acabou por não olhá-lo

Chamou o garçon e pediu-lhe:
“Entrega a ela o bilhete”

Viu de onde vinha o bilhete e sem lê-lo, pediu à amiga:
“Rasga o bilhete”

Ele, desacreditado, inquietou-se
Ela, estática, permaneceu

Ele não disse a ela nada
Queria ensaiar mais uma vez o que falar
E acabou por não dizer

Ela não disse a ele nada
Pouco ligava para quem ele era
E acabou se arrependendo

Percebendo que escreveria o poema mais feliz de sua vida