segunda-feira, 27 de julho de 2009

Meus medos dos meses

Tenho medo de ser só

O primeiro de Janeiro
A alegoria barata de Fevereiro
A última gota de Março
A mentira de Abril
A folha seca de Maio
A iguaria de Junho
O aniversariante de Julho
O soldado de Agosto
O independente de Setembro
O feriado de Outubro
O finado de Novembro
O último de Dezembro

Quero ser seu por todos os meus dias

domingo, 12 de julho de 2009

Amigos demais para sermos amigos

Eu só queria estar num lugar diferente
Um que não conhecera antes
Poderia ser qualquer lugar
Eu só queria estar com você

Um lugar que fosse seu
Para que se sentisse a vontade
Com meus olhos postos nos seus
E a cabeça repousada sobre seu colo

Serei todo ouvidos
A refletir sobre a sua vida
E dar-te o melhor conselho sobre nós

Eu só queria estar no seu coração
Um que deveria sentir saudade como o meu
Poderia ser em qualquer cômodo da casa
Eu só queria ter conforto em seus braços

Seus olhos e ouvidos sabem que te quero
O coração é que parece não se importar
Com esse amor caseiro e amigo
E é só você que não percebe que quero dizer:

“Eu só quero ter você pra sempre.”

sábado, 27 de junho de 2009

Vai passar, vai passar (antes de ler a carta)

Vai passar
Essa paixão forte
Esse medo de solidão-morte

A força dessas palavras desencontradas
A forma que dá forma, lapidando o medo de ser feliz

A confusão do pensamento
A forma que escreve as palavras com giz
Como quem espera a chuva mais forte
Para apagá-las e largar-me à sorte

Desfigurada ela se ia
Dizendo não ao que acabara de restar de mim
Desfigurado eu me ia
Só precisando entender o por que de ser assim

Ela, por saber do futuro
Eu, por acreditar num futuro

Vai passar
Essa tristeza forte
Esse medo de ser feliz

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Perguntas como resposta aos desavisados

De que valem as palavras
se não para serem escritas?

De que vale o pensamento
se não para ser compartilhado?

Que valeriam Chico, Vinícius,
Tim e Tom se tivessem vergonha?

Que valeriam Carlos e Clarice
com seus papéis em gaveta qualquer?

De que vale a palavra pensada
e o verso vazio?

De que vale o dizer
por dizer?

De que vale um poema
se não para equilibrar-se entre o céu e a terra?

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Pra você e pra mim (ou de onde vem a ironia)

Pra você

Talvez eu seja um tolo
Um indiscreto
Um zero

Talvez eu seja um qualquer
Um transeunte
Um outro número

Talvez não te valha um olhar cruzado
Um passo a frente em me seguir

Talvez eu seja um objeto perdido no espaço

Talvez não te valha meu aperto de mão
Uma cena despretensiosa em sua presença

Talvez eu esteja com você
Um desagrado pra você
Um agrado para mim

Talvez eu esteja com uma outra qualquer
Uma que conheci há pouco
Uma que não me tem amor

Pra mim

Talvez eu seja alguém