terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Companhia doméstica

Companheira de minha mãe
Enquanto meu pai dorme
Esperando, já cansado, pelo trabalho do próximo dia
Ou enquanto meu irmão sai
E enquanto também estou fora ou lendo um livro

Companheira fiel
Esforçada em manter minha mãe em casa
Sem que ela enlouqueça
Com esse silêncio ensurdecedor

Não faço o certo em dormir
E não estar com ela e fazê-la sorrir
Que seja por um segundo
A presença de corpo e alma alegra a mim e a ela

Distrái, entretém
Desconfio até que converse com ela

A televisão tem salvado sua vida
Ao mesmo tempo aprisionando-a sem que saiba
Pelo seu bem

- Quero te salvar, mãe! Preciso te salvar!
Calma... calma que o pai também já vai se aposentar!

sábado, 5 de dezembro de 2009

A mulher, a música, a minha morte

Os olhos que me olhavam
Se transformaram em letra e notas musicais
A vida parecia a canção mais bela que já senti

Consegui, enfim,
A música perfeita se fez em mim
Era o que precisava para poder morrer em paz

Sentimento do lado de cá
Só desejo e vontade do lado de lá
E eu soube que tudo aquilo iria acabar brevemente

Os encontros eram simples
E eram como arritmias cardíacas
Esporádicos, breves, intensos

Jogado para fora de sua vida, às pressas
Então, por fim, pude morrer sem paz

Sem rima de par entre nós
E sem lógica alguma
Como um poema sem lógica

Que tem um início
Um fim que já se conhece
E um meio arrítmico

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Você e o litoral

Procuro-te pelas dunas de Natal
Não sei ao certo seu nome, será Joaquina?

Queria encontrar-te na Praia dos Amores
E não dar de cara com as falésias onde está minha Canoa Quebrada

Em qualquer praia de Barra de Santo Antônio, casaria-me contigo
Já que diz-se ser forte o santo no tema

Vou à Praia do Farol buscar luz para encontrar minha felicidade ao seu lado
Para encontrar seu nome na lista das pessoas maravilhosas desse mundo

À Boa Viagem pretendo chegar são e salvo
E depois me embebedar de você antes de partirmos para outro lugar

Pois ao Porto de Galinhas e à Baía dos Porcos
Não pretendo desperdiçar meu tempo pensando pelo nome do lugar

Copacabana nem me importa tanto, não me interessa
Muito menos me interessa Ipanema e sua garota se tenho você

Nem que me joguem (em) Búzios eu acreditaria num amor forjado
Amor, assim, de palavra fraca, de terno e gravata

Eu só preciso, única e exclusivamente, de ti
Meu Porto Seguro

sábado, 7 de novembro de 2009

Sacrificando poemas

Sigo, sem cessar
Lamentando, neste momento
A palavra que não quer chegar

Prossigo, sem esquecer
Dos momentos de outrora
Onde a palavra vinha, mesmo que carregada de desilusão

Levo a vida, por hora
Sacrificando poemas
Levo a vida, por hora
Com paixão que pede hora

Na tristeza a palavra de poeta se satisfaz
Aparece à graça do freguês
Na alegria a palavra parece não querer se colocar
Desaparece à escuridão da vez

Levo a vida, agora
Somando o tempo que me resta
Levo a vida, agora
Pensando se tudo é só por hora

Sigo, sem me cansar
Matutando quando poderei te ver novamente
Pra matar meu desassossego

Prossigo, sem me preocupar
Deixando de pensar em minhas tristes palavras
A sacrificar meus tristes poemas

domingo, 18 de outubro de 2009

Você precisa saber

Eu preciso de um amor simples
Que seja, ao menos,
Um segundo maior
Que a tristeza que sentirei daqui em diante

Para que valha a pena para sempre

Eu preciso de uma amizade
Que me dê um abraço
Um segundo maior
Que sua melhor palavra e o perfume que fica, mulher

Para que eu tenha vontade de viver para sempre

Eu preciso que entenda
Que eu preciso você
Um segundo a mais
Do que somente sua eterna amizade

Não quero perder a fé
E os sentidos
Não quero perder o encanto
E o sorriso

Não quero perder a vontade
E as chances
Não quero perder o momento
E o tempo

Não quero te perder dessa vez