segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

No Picadeiro

É no picadeiro que acontece tudo
A magia e o inesperado
O impossível e o perigoso
A música e a aventura
E também a ventura

É no picadeiro que o leão ruge
A palhaçada acontece
Os palhaços riem mesmo insatisfeitos
A platéia aplaude sem lembrar que é ficção
E esquece do mundo que existe depois da lona armada

O picadeiro é um círculo
Que nos lembra este mundo
Mas que não o reflete

Mostra o mundo que não existe
O mundo que não podemos viver

Não mostra o mundo triste
O mundo real que eu gostaria de esquecer

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Poema dos dois

Não queria ser só
Não queria ser só isso

Queria um par, pois
Que fosse só nós dois

Procuro, na amizade, uma forma de fazer-te pensar
Procuro, no amor, uma fórmula pra te conquistar

Se não encontrar fórmula do amor
Sei que não encontro também um “remedinho” pra curar tal dor

Esqueci-me
Você não pensa como eu

Esqueceu-se (de mim)
E foi atrás daquele que o acaso lhe ofereceu

Nunca pensaste que eu me colocaria em seu juízo
Nunca pensaste que eu pudesse colocar-te no rosto um eterno riso

Por favor, não queira ser só
Não queira ser só isso

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Hora de ter Tempo

Chronos, o deus, é grande
Pois, Tempo é grande

Homem, o racional, é pequeno
Pois, Hora é pequena

Uma hora vale
Se o tempo não passa
E se aproveita
E não se rejeita

E todo o tempo do mundo necessário
Para não se viver nada, de nada vale

É tempo de viver
Ainda estamos em tempo para viver
Mas, se não tivermos tempo,
É hora de dizer: Chegou a hora

Tempo para viver as poucas horas que queria
Tempo para viver as poucas horas do dia
É hora de ter o tempo que queria

Agora é a hora de não parar no tempo
Agora é a hora de não deixar o tempo parar

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Um segundo

Ele poderia falar
Rir ou dançar

Já havia tentado encontrá-la em sua casa
E chamá-la

Ele poderia se fazer de intelectual
Ou até mesmo ser um tal

Já haviam trocado olhares profundamente
Mesmo que rapidamente

Ele poderia voar se fosse preciso
E dizia que a levaria consigo

Já havia tentado convencê-la
De que seria feliz por tê-la

E conseguiu por um segundo

Mas, num segundo ele errou
No mesmo segundo ela desconfiou
E isso a fez acreditar que tudo acabou

Como quem nunca errara na vida
Levaria ela, com ele, uma vida?

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Use

Use minhas roupas e os sapatos
O perfume e os carros

Ouça meus discos
Use meu telefone

Toque o piano
E ouça meu despretensioso consolo

Use minhas idéias
Meu discurso
Meus hábitos forjados produzidos para você

Me use se precisar
Só não me diga, passado o tempo, que não leu a bula e suas contra-indicações