quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Poema dos dois

Não queria ser só
Não queria ser só isso

Queria um par, pois
Que fosse só nós dois

Procuro, na amizade, uma forma de fazer-te pensar
Procuro, no amor, uma fórmula pra te conquistar

Se não encontrar fórmula do amor
Sei que não encontro também um “remedinho” pra curar tal dor

Esqueci-me
Você não pensa como eu

Esqueceu-se (de mim)
E foi atrás daquele que o acaso lhe ofereceu

Nunca pensaste que eu me colocaria em seu juízo
Nunca pensaste que eu pudesse colocar-te no rosto um eterno riso

Por favor, não queira ser só
Não queira ser só isso

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Hora de ter Tempo

Chronos, o deus, é grande
Pois, Tempo é grande

Homem, o racional, é pequeno
Pois, Hora é pequena

Uma hora vale
Se o tempo não passa
E se aproveita
E não se rejeita

E todo o tempo do mundo necessário
Para não se viver nada, de nada vale

É tempo de viver
Ainda estamos em tempo para viver
Mas, se não tivermos tempo,
É hora de dizer: Chegou a hora

Tempo para viver as poucas horas que queria
Tempo para viver as poucas horas do dia
É hora de ter o tempo que queria

Agora é a hora de não parar no tempo
Agora é a hora de não deixar o tempo parar

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Um segundo

Ele poderia falar
Rir ou dançar

Já havia tentado encontrá-la em sua casa
E chamá-la

Ele poderia se fazer de intelectual
Ou até mesmo ser um tal

Já haviam trocado olhares profundamente
Mesmo que rapidamente

Ele poderia voar se fosse preciso
E dizia que a levaria consigo

Já havia tentado convencê-la
De que seria feliz por tê-la

E conseguiu por um segundo

Mas, num segundo ele errou
No mesmo segundo ela desconfiou
E isso a fez acreditar que tudo acabou

Como quem nunca errara na vida
Levaria ela, com ele, uma vida?

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Use

Use minhas roupas e os sapatos
O perfume e os carros

Ouça meus discos
Use meu telefone

Toque o piano
E ouça meu despretensioso consolo

Use minhas idéias
Meu discurso
Meus hábitos forjados produzidos para você

Me use se precisar
Só não me diga, passado o tempo, que não leu a bula e suas contra-indicações

domingo, 9 de novembro de 2008

A velha nova caminhada (ou a nova velha caminhada)

Este fim de ano não será o mesmo. Não será como os outros. Na verdade nunca é, se não, estaríamos vivendo ciclicamente. Ah, mas este é diferente e eu vou lhe contar por que!
Tudo era feito de flores e tempestade ao mesmo tempo (como sempre em minha humilde e, para muitos, insignificante vida). Aquele grande amigo de infância se foi uns dias antes da ceia de Natal. Fora antes do combinado. Me lembro que, no sábado, ao vê-lo na rua de carro, gritei seu nome.
Eu tinha saudade.
Nos encontramos, conversamos coisa de meia hora e ele se foi, como quem diz: “Te vejo em breve, amigo!” Ele fazia planos e continuava com os planos de outrora: Nos fazer rir em qualquer ocasião e sob qualquer embuste na situação.
Na chuvosa segunda recebo a notícia que ninguém queria ouvir.
Ele havia partido aos 19, mesmo contra seus planos. O que aconteceu não vem ao caso.
Veio o Natal e o Ano Novo.
A família ainda era completa.
Sentávamos todos à mesa na noite do dia 24 e éramos muitos. O problema é que eu já sentia que aquele fim de ano não seria como o próximo. Meu avô já não era robusto e brutamonte apesar de ter o mesmo brilho nos olhos e a mesma sanidade de sempre.
Algumas pessoas foram aparecendo e eu as fui conhecendo. Vieram novos amigos se somar aos velhos. Aprendo com eles e espero estar ensinando-os também. Divirto-me com eles e espero estar divertindo-os também.
Meses depois, a esperada e desgostosa notícia chega por telefone. O grande chefe da família, aos 77 anos, havia partido em paz.
As flores, desta vez, foram de tristeza e se juntaram àquela tempestade.
Hoje só quero flores na alegria. Chega de tristeza.
Chega de solidão.
Ainda tento não viver em vão sem saber se consigo me guiar em uma bela e certa direção.
Os planos continuam.
Que seja mágica a ceia desta vez. Este ano quase se finda: Que sejam felizes este e o novo. Que sejamos todos felizes amanhã mesmo!
Não parti aos 19, não sei se partirei depois dos 77, mas preciso me planejar. Para isso, ainda preciso encontrar um grande amor e um bom lugar.

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Texto inspirado por Anitha Rosenrot do blog "A Cartola" em seu texto "Cheiro de Dezembro".