segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Como a água

Eu preciso de você
Em todas as suas formas
Sentir, ao seu lado, a dor
E a alegria emanada de sua alma
Nestas águas turbulentas de sentimentos entrelaçados

Preciso, novamente, sentir seus sinais vitais
E seu sangue, com vida própria, pulsando
Acreditando ser possível misturar-se ao meu
Como a água do rio quando encontra o mar aberto em paz
Para, assim, acreditar que aqueles breves momentos foram reais

De seu corpo, guardo a lembrança do carinho
De seus olhos, guardo a cor e a sinceridade
Como a água límpida e pura da chuva
Que espero ansiosamente para encontrar novamente
E o afeto incondicional que sabe que lhe tenho

Dos meus olhos, sei que guarda a sinceridade
Que, pudeste perceber, derramaram-te palavras líquidas
Palavras que cumpriram a missão de me abrir as comportas dos olhos
Para que jorrassem a vontade pelas objetivas
Como abrem-se as comportas de uma represa trancafiada há tempos

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Companhia doméstica

Companheira de minha mãe
Enquanto meu pai dorme
Esperando, já cansado, pelo trabalho do próximo dia
Ou enquanto meu irmão sai
E enquanto também estou fora ou lendo um livro

Companheira fiel
Esforçada em manter minha mãe em casa
Sem que ela enlouqueça
Com esse silêncio ensurdecedor

Não faço o certo em dormir
E não estar com ela e fazê-la sorrir
Que seja por um segundo
A presença de corpo e alma alegra a mim e a ela

Distrái, entretém
Desconfio até que converse com ela

A televisão tem salvado sua vida
Ao mesmo tempo aprisionando-a sem que saiba
Pelo seu bem

- Quero te salvar, mãe! Preciso te salvar!
Calma... calma que o pai também já vai se aposentar!

sábado, 5 de dezembro de 2009

A mulher, a música, a minha morte

Os olhos que me olhavam
Se transformaram em letra e notas musicais
A vida parecia a canção mais bela que já senti

Consegui, enfim,
A música perfeita se fez em mim
Era o que precisava para poder morrer em paz

Sentimento do lado de cá
Só desejo e vontade do lado de lá
E eu soube que tudo aquilo iria acabar brevemente

Os encontros eram simples
E eram como arritmias cardíacas
Esporádicos, breves, intensos

Jogado para fora de sua vida, às pressas
Então, por fim, pude morrer sem paz

Sem rima de par entre nós
E sem lógica alguma
Como um poema sem lógica

Que tem um início
Um fim que já se conhece
E um meio arrítmico

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Você e o litoral

Procuro-te pelas dunas de Natal
Não sei ao certo seu nome, será Joaquina?

Queria encontrar-te na Praia dos Amores
E não dar de cara com as falésias onde está minha Canoa Quebrada

Em qualquer praia de Barra de Santo Antônio, casaria-me contigo
Já que diz-se ser forte o santo no tema

Vou à Praia do Farol buscar luz para encontrar minha felicidade ao seu lado
Para encontrar seu nome na lista das pessoas maravilhosas desse mundo

À Boa Viagem pretendo chegar são e salvo
E depois me embebedar de você antes de partirmos para outro lugar

Pois ao Porto de Galinhas e à Baía dos Porcos
Não pretendo desperdiçar meu tempo pensando pelo nome do lugar

Copacabana nem me importa tanto, não me interessa
Muito menos me interessa Ipanema e sua garota se tenho você

Nem que me joguem (em) Búzios eu acreditaria num amor forjado
Amor, assim, de palavra fraca, de terno e gravata

Eu só preciso, única e exclusivamente, de ti
Meu Porto Seguro

sábado, 7 de novembro de 2009

Sacrificando poemas

Sigo, sem cessar
Lamentando, neste momento
A palavra que não quer chegar

Prossigo, sem esquecer
Dos momentos de outrora
Onde a palavra vinha, mesmo que carregada de desilusão

Levo a vida, por hora
Sacrificando poemas
Levo a vida, por hora
Com paixão que pede hora

Na tristeza a palavra de poeta se satisfaz
Aparece à graça do freguês
Na alegria a palavra parece não querer se colocar
Desaparece à escuridão da vez

Levo a vida, agora
Somando o tempo que me resta
Levo a vida, agora
Pensando se tudo é só por hora

Sigo, sem me cansar
Matutando quando poderei te ver novamente
Pra matar meu desassossego

Prossigo, sem me preocupar
Deixando de pensar em minhas tristes palavras
A sacrificar meus tristes poemas